Sistema oftalmológico pode revelar Alzheimer

Uma das características da doença de Alzheimer é o acúmulo da proteína beta-amilóide no cérebro. Há diversas maneiras de monitorar seus níveis no sistema nervoso, incluindo análises clínicas e técnicas de imagem. No entanto, tratam-se de procedimentos caros e invasivos, inadequados para a triagem de rotina que avalia a progressão da doença. À vista disso, pesquisadores do Centro Médico Cedars-Sinais e da empresa de produtos oftalmológicos Neurovision, EUA, desenvolveram um sistema de imagem de retina que pode facilitar o processo, permitindo a detecção precoce da doença de Alzheimer.

Para verificar a presença da beta-amilóide, a equipe utiliza uma câmera oftalmológica e um software de processamento de imagens. O método analisa as imagens captadas na retina do paciente para verificar a existência e o volume de depósitos da proteína no sistema nervoso. Segundo os pesquisadores, como consequência do desenvolvimento do sistema nervoso central, que compartilha muitas das características do cérebro, a retina oferece uma oportunidade única para detectar e monitorar a doença de Alzheimer com facilidade e conveniência.

Recentemente, um ensaio clínico foi conduzido para demonstrar a viabilidade da técnica. Entre 37 participantes, foi constatado uma quantidade consideravelmente maior de placas de beta-amilóide na retina de pacientes com Alzheimer, em comparação a um grupo de indivíduos cognitivamente saudáveis. Além disso, uma das principais vantagens da técnica é a possibilidade de monitorar pacientes de forma a verificar a progressão da doença, podendo também ser útil no rastreio de indivíduos saudáveis que possuem maior risco de desenvolvê-la.

A técnica experimental ainda irá passar por outros ensaios clínicos, mas já demonstra grande potencial para facilitar o diagnóstico e verificação de progresso da doença de Alzheimer. A intenção de seus desenvolvedores é que, eventualmente, o escaneamento retinal possa ser usado como um dispositivo de rastreio capaz de detectar a doença cedo o suficiente para intervir e modificar seu curso através de medicamentos e mudanças no estilo de vida.

 

Fonte: Neurovision

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